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Mulheres de Peito
Quinta-feira, Outubro 19, 2006
Aleitamento Materno: nem tão natural assim quanto parece¿
Amamentar, um ato natural.
Amamentar, um ato de amor.
Estas frases, ditas em seqüência, soam sinônimas.
Ganham, ditas em seqüência, uma significação que se contrapõe ao
high-tecnicismo contemporâneo e à modernidade medida em bites.
Amamentar deveria sim, ser um ato natural.
Um ato de amor.
Deveria ser condição estritamente ligada à maternidade, irreversível e
inseparável dela.
Desejar um filho, gerar um filho e criar um filho, alimentando-o com o
próprio leite, deveriam ser a coroação da valorização da própria
espécie e o orgulho maior da raça humana.
Mas um dia alguém achou por bem introduzir leite de outra espécie
animal na alimentação dos nossos bebes.
A idéia original se espalhou com tamanha violência e repercussão tão
tremenda, com aceitação tão estúpida e velocidade tão feroz, que não
demorou muito tempo para que este leite de outro animal começasse a
ser produzido em escala industrial e distribuído em escala mundial.
Com objetivo de desmoralizar o leite materno, este produto heterologo
foi chamado leite maternizado pela industria e este conceito
absurdamente errôneo e enganoso de maternização passou a fazer parte
da cultura da alimentação infantil.
O aleitamento materno ganhava assim um inimigo voraz e um mímico
patético. Perdia com isso seu lugar de destaque na vida mamífera da
raça humana.
Seus inimigos e mimetizadores passaram a impor à humanidade uma
avalanche de riscos e de azares: gastroenterites, desnutrição,
obesidade precoce, privação afetiva, internações arriscadas e óbitos
por causas evitáveis.
Era preciso fazer alguma coisa e recuperar a saúde de nossos bebes.
A amamentação precisava ser reaprendida e reensinada aos nossos
meninos, às nossas meninas, às nossas mães e aos nossos profissionais
de saúde.
Compreendeu-se então que amamentar, mais que um ato natural e além de
um gesto de amor, é uma técnica.
Técnica complexa e com imensa sensibilidade à interferência cultural e
social da população a que ela se aplica.
Estabeleceram-se, com o tempo, parâmetros de observação de mamada,
identificação e prevenção de riscos de desmame precoce, estudos
bioquímico da constituição do leite humano, aprofundamento do
conhecimento da fisiologia da lactação, da fisiopatologia da lactação,
das técnicas de aconselhamento materno, criaram-se metodologias
auxiliares como a Metodologia Mãe Canguru e a instituição dos Bancos
de Leite Humano com objetivo de ampliar o conhecimento da ciência da
amamentação e conduzir seus caminhos de maneira harmonizada com a
civilização moderna.
O aleitamento materno é hoje conhecido e estabelecido portanto como
uma técnica que se bem aplicada é capaz de gerar resultados mais
adequados que quando ignorada ou desobedecida em seus pilares.
Um gesto natural sim, mas nem tão natural assim.
É necessário estar atualizado em relação a seus conceitos e seu manejo
clinico. Ter habilidade cognitiva e sensibilidade quase materna para
driblar as dificuldades de sua implantação e manutenção. É necessário
estar atento aos seus inimigos e munir-se de valores capazes de
enfrentá-los com firmeza, sem perder a ternura jamais, parafraseando
Guevara.
A luta pela implementação de Unidades de Saúde Amigos da Criança, a
adoção da Amamentação por instituições como o Corpo de Bombeiros e a
luta de algumas Universidades como a PUC do Paraná que incluíram o
estudo da Amamentação em sua grade de ensino, aberto a todo pool de
faculdades que a compõe, mostra que o Aleitamento Materno é uma
ciência complexa, maravilhosamente apaixonante, nem tão natural assim,
mas absolutamente necessária.
Lidar com seus diversos aspectos é mais sensato que pulverizar as
mínimas dificuldades de seu manejo com o uso de leites artificiais e
de vaca ou outros quadrúpedes, que felizmente já não são chamados
maternizados pela industria.
Natural é pouco para definir tanta ciência.
Amamentar é um ato de valor.
Luis Alberto Mussa Tavares
Medico da Unidade Neonatal do Hospital dos Plantadores de Cana de Campos.
www.fotolog.net/amamentando
lamtavares@uol.com.br
escrito por
Pati Merlin em
6:36 PM
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Domingo, Outubro 08, 2006
Mais dicas para o desmame.
Primeira e importante questão:
PORQUE desmamar?
Pergunte-se a razão da sua decisão. Não há uma época definida para o desmame, pois esse processo é muito diferente para cada mamãe e bebê. Não há uma razão padrão para a decisão do desmame. As razões são tão variadas quanto as próprias mães e crianças amamentadas. Cada filho seu vai precisar de uma decisão separada sobre o desmame.
1) Devagar é melhor:
Se voce permitir que o processo ocorra gradualmente (num período de alguns meses), seu bebê e seu corpo irão se ajustando fazendo o processo mais fácil para ambos.
2) O primeiro passo para o desmame:
Tente o metodo: "não ofereca, não recuse". Isso funciona como um "teste" de quão fácil ou difícil o desmame será. Continue amamentando quando seu bebe pedir, mas não ofereça o tempo todo, automaticamente como algumas mães costumam fazer.
O que pode ser surpreendente é descobrir que algumas criancas estão tão prontas quanto as mães para comecar o processo de desmame. Nesse caso, elas estarão abertas a uma rotina que não inclua amamentação.
3) Distração funciona:
Bebês são ativos, ocupados sempre, tire proveito dessa característica e tente distraí-lo com alguma coisa na hora que ele pede para mamar. Por exemplo, se seu filho geralmente mama quando acorda, você pode chegar com um brinquedo legal ou abrir as janelas e convide-o para ver os passarinhos lá fora. Nas primeiras vezes que você fizer isso seu bebê pode ficar confuso e reclamar um pouco, mas persista um pouco com a distração. Tente mais algumas vezes, mas se o bebê reclamar, chorar muito, amamente. Continue tentando de novo mais pra frente, um belo dia seu bebê vai te surpreender e pedirá pra abrir a janela para ver os passarinhos. Na hora de dormir, uma dica: se voce sempre dá de mamar após contar uma estória, prolongue essa estória de modo que ele durma antes do fim.
4) Num minutinho:
A tática do "atraso": "Você pode mamar depois que eu terminar de dobrar as roupas", aí quando você olhar ele vai estar ocupado com outras coisas. Ofereca o peito após terminar com as roupas, se seu bebe ainda quiser. Isso reforça a confianca e mostra ao seu bebê que você não está ignorando suas necessidades. Você pode até tentar mais atraso: "Vamos esperar a hora da soneca". Isso pode ser um modo efetivo de reduzir o número de sessões de amamentação diária.
5) Substitua leite materno por comidas sólidas:
Outra técnica que pode ajudar é substituir a mamada por mais comidas (se seu bebê já come e gosta comidas solidas. Se isso já acontece você pode tentar substituir outras formas de conforto e atenção das mamadas por coisas como ler livros, abraços, brincar juntos.
6) Evite seus cantinhos de mamar:
A maioria das mães tem um ou dois lugares favoritos para mamar, uma poltrona por exemplo. Se você quiser encorajar o desmame, deve evitar esses lugares que podem despertar no seu bebê o desejo de mamar. Encontre outros lugares e combine essa dica com a técnica de distração.
7) Encurte as sessões de mamar:
Outro passo em direção ao desmame é encurtar o tempo que você geralmente amamenta seu filho, e tente incluir uma distração no final da sessão.
8) Substitua mamar por brincar:
Algumas mães (às vezes mesmo sem perceber) usam a hora de amamentar como uma maneira de ter um tempo quieto e relaxante com seus bebês. Faça a decisão consciente de substituir essa sessão de mamar por um sessão de brincadeiras, em que você dá atenção completa o tempo todo. Seu bebê pode ficar tão contente com isso que poderá até esquecer de pedir para mamar.
9) Peça ajuda ao pai:
Já que mamãe é igual a leite, peçaa ao seu marido para ficar com a criança nas horas em que ele geralmente mamaria, como por exemplo quando ele acorda ou antes de dormir. Isso requer mais paciência e jeitinho, mas pode ser uma ótima forma de criar novos padrões na rotina diária do bebê que não envolve amamentar.
10) A danca do desmame:
Não se surpreenda se seu bebê "captar" seu desejo de desmamar e de repente pedir para mamar como um recém-nascido! Essa é uma resposta natural a uma grande mudança na vidinha deles. Se você atender os desejos e der de mamar por 1-2 dias, isso geralmente passa, e você pode seguir em frente na direção do desmame de novo.
Geralmente o progresso do desmame NÃO é uma linha reta, é mais como uma danca. Mas se você guiar essa danca com afeto e sensibilidade, acabará dançando no ritmo que escolheu.
Extraido do livro "Gentle Baby Care", by Elizabeth Pantley.
escrito por
Pati Merlin em
5:51 PM
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