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Sexta-feira, Junho 23, 2006

Otites: as infecções do ouvido
"As infecções do ouvido, chamadas de otites, são doenças muito comuns, principalmente na infância. São doenças benignas, mas que se não tratadas corretamente podem levar a perda da audição. Alguns cuidados simples devem ser tomados para ajudar a prevenir o seu aparecimento".

Introdução

Otite é o termo médico usado para toda infecção do ouvido, que pode ocorrer no ouvido externo ou médio e pode ser aguda ou crônica.

O ouvido, órgão com a função de audição e equilíbrio, possui três divisões. A primeira, a orelha externa compreende o pavilhão auricular e o conduto auditivo externo, revestidos por pele, que termina na membrana chamada tímpano. Sua função é localizar a fonte sonora, amplificá-la e levá-la até o ouvido médio. Esta é uma cavidade preenchida por ar e que se localiza dentro do osso temporal (osso que faz parte do crânio) e contêm três pequenos ossos, o martelo, a bigorna e o estribo, que amplificam o som que chega à membrana timpânica para a parte mais interna do ouvido, o labirinto. No ouvido médio também se localiza a tuba auditiva, ou trompa de Eustáquio, que estabelece ligação com o nariz (fato importante na origem da otite média) e que é utilizada para igualar a pressão do ar entre a ouvido médio e o ambiente externo (por isso quando descemos a serra bocejamos ou deglutimos para "desentupir" o ouvido). O labirinto possui uma parte destinada a percepção dos sons, chamada de cóclea, e à conversão das ondas sonoras para estímulos elétricos que serão levados até o cérebro, e outra que contribui para o equilíbrio do corpo. A infecção da orelha externa é chamada otite externa e do ouvido médio é chamada otite média.

Otite externa

A otite externa é mais comumente causada pela infecção por bactérias e fungos. Na maior parte das vezes, eles penetram através de lesões na pele que recobre a orelha externa provocadas por objetos (cotonetes, grampos, por exemplo), por atritos ao coçar ou secar o ouvido e pelo contato com água contaminada (mar, piscina, banhos). O contato freqüente com a água pode facilitar a remoção da cera que serve de proteção para o canal auditivo. Por isso, a otite externa também é conhecida como otite dos nadadores.

Ocorre uma dor intensa e diminuição da audição. Em alguns casos, podem aparecer secreção e coceira. O diagnóstico é feito considerando os sintomas e por meio do exame otológico que permite visualizar o interior do ouvido.

O tratamento da otite externa inclui analgésicos. Antibióticos e antifúngicos são usados como medicação tópica (gotas). Calor local ajuda a aliviar a dor e, no caso de haver coceira, aspirar a secreção pode ser a conduta indicada.

Otite média

A otite média é a segunda doença mais comum da infância, após as infecções de vias aéreas superiores. Segundo um estudo epidemiológico, aos 12 meses de idade cerca de 2/3 das crianças já apresentaram pelo menos um episódio de Otite Média Aguda (OMA), e aos 3 anos cerca de 46% já tiveram 3 ou mais episódios de OMA. Além disso, o estudo mostrava haver dois picos de incidência de OMA: entre 6 e 11 meses de idade (pico mais importante) e entre 4 e 5 anos de idade. Mas pode ocorrer em pessoas de qualquer idade.

A otite média aguda é uma infecção por bactérias ou vírus que provoca inflamação e/ou obstruções que se não for tratada pode levar à perda total da audição. Costuma ocorrer durante ou logo após gripes, resfriados, infecções na garganta ou respiratórias, como uma complicação. Os vírus e bactérias, normalmente infectando o nariz e faringe, ascendem pela tuba auditiva e causam acúmulo de pus dentro do ouvido médio. A pressão exercida por esta secreção levará a dor, febre e diminuição da audição. Algumas vezes ela chega a ser tão intensa que leva à ruptura da membrana timpânica e saída de secreção purulenta misturada com sangue pelo conduto externo (otite média aguda supurada).

Os principais sintomas são, portanto, a dor muito forte, diminuição da audição, febre, falta de apetite e secreção local. O diagnóstico se baseia no levantamento dos sintomas e no exame do ouvido com aparelhos específicos como o otoscópio.

O tratamento requer o uso de antibióticos e analgésicos. Em dois ou três dias, a febre desaparece, mas a audição pode leva mais tempo para voltar ao normal. Se a perda auditiva não regredir, pode ser sinal de secreção retida atrás do ouvido médio, que será retirada cirurgicamente através de uma pequena incisão no tímpano. O tímpano geralmente se regenera espontaneamente.

Vacinas contra o Haemophilus influenza e o Streptococcus pneumoniae protegem as crianças de uma série de infecções menores, entre elas a otite média e a amigdalite. Especialmente a vacina contra o pneumococo, consegue reduzir a incidência de otite em 6% ou 7% da população infantil.

A otite média serosa é caracterizada pela presença de secreção inflamatória (serosa). Em geral se manifesta por perda auditiva e otites agudas de repetição. Está relacionada à obstrução da tuba auditiva, podendo fazer parte do quadro clínico das alergias das vias aéreas superiores, aumento da adenóide e sinusites. Como quadro assintomático, o diagnóstico é realizado, casualmente, no exame do ouvido realizado nas consultas de "rotina". Seu tratamento pode ser clínico, com resolução espontânea, e/ou cirúrgico.

A otite média crônica se caracteriza por uma história mais arrastada, com duração de 3 meses ou mais. É a principal responsável pela queda da audição em crianças e, conseqüentemente, do aprendizado. Em geral apresenta uma perfuração permanente na membrana do tímpano como seqüela de uma otite média aguda mal tratada e que esporadicamente se infecta (sobretudo quando há entrada de água pelo conduto) manifestando-se pela presença de secreção. As constantes reinfecções desta cavidade podem levar a seqüelas irreversíveis na audição e ainda possibilitar o crescimento de pequenas massas, os chamados colesteatomas, que passam a invadir o ouvido médio causando grandes complicações. O tratamento da otite média crônica inclui controle da infecção (em geral gotas tópicas) e proteção contra entrada de água e até o tratamento cirúrgico. A cirurgia visa evitar novas infecções e secundariamente tentar recuperar a audição que restou daquele ouvido.

Recomendações

¿ Evite o uso de cotonetes, pois podem retirar a cera protetora do ouvido ou empurrá-la para dentro do canal auditivo ou até mesmo machucá-lo;
¿ Utilize protetores macios para evitar a entrada de água quando for nadar;
¿ Limpe, com freqüência, as secreções nasais provocadas por gripes e resfriados, para evitar que o catarro se acumule no nariz e na garganta. Essa recomendação vale especialmente para bebês e crianças pequenas;
¿ Nunca amamente seu bebê deitado. Essa posição favorece a entrada de líquidos em sua tuba auditiva que predispõe infecções;
¿ Não introduza objetos que possam ferir a pele para limpar ou coçar o ouvido;
¿ Enxugue a orelha com cuidado, usando uma toalha macia enrolada na ponta do dedo;
¿ Cuidado com a automedicação e não siga sugestões de conhecidos para aliviar a dor de ouvido;
¿ Procure atendimento médico sempre que apresentar dor de ouvido, coceira intensa ou diminuição de audição.

Copyright © 2005 Bibliomed, Inc. 25 de Agosto de 2005

http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=4779&LibCatID=5&fromhome=yes

escrito por Pati Merlin em 2:38 PM
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Sexta-feira, Junho 02, 2006

O LEITE MATERNO É UM "ANTIBIÓTICO" NATURAL E UMA SUPER VACINA

Entrevista da Dra. Gro Nylander, médica da Noruega, onde 98% dos recém nascidos são amamentados e 80% continuam no peito até completarem 6 meses. Um país que as práticas hospitalares estimulam o aleitamento, as mulheres gozam de 10 meses de licença maternidade com tudo pago e as nutrizes trabalhadoras tem um descanso de 2 horas em seu turno de trabalho para amamentar.

"Deixemos de lado minha idade... Sou mãe de 4 filhos que estão na casa dos 30 anos e avó de 4 netos. Estou casada. Sou norueguesa e vivo em Oslo. Sou obstetra do Hospital da Universidade de Oslo, Diretora do Centro Nacional de Aleitamento Materno, o primeiro do mundo. Promovo a amamentação: que traz benefícios sem fim !"

Víctor-M. Amela ¿ La Vanguardia, Espanha faz as perguntas.

-O que tem no leite materno que não tem nos outros leites ?
-é a embalagem mais bela do mundo...

-Totalmente de acordo!
-...e milhares de benefícios para a saúde do bebê e da mulher.

-Milhares ?
-são os já confirmados por estudos científicos... porém, cada dia descobrimos alguma nova vantagem do aleitamento materno ! E tanto para o bebê como para a mãe.

-Qual a vantagem principal ?
-é uma vacina natural ! Os anticorpos que a mãe possui passa com seu leite ao bebê que mama; assim o lactente fica imunizado contra os germens do ambiente materno !

-E o bebê adoece menos?
-Sim: sofre menos infecções. Veja, há pouco tempo em Oslo, houve uma epidemia de diarréia entre crianças de 4 anos; descobrimos que era causada por um vírus, freqüente no Paquistão, e não respondia a nenhum tratamento...

-As crianças não tinham defesa, deduzo.
-Então nos ocorreu dar-lhes leite materno de uma mulher do Paquistão: se curaram !

-Bravo ! Há algum leite que imita o leite materno, que possa substituí-lo?
-Estes leites artificiais ¿ está vedado chamá-los de "maternizados": é publicidade enganosa ! São cada dia melhores, porém estão a anos-luz dos benefícios do leite materno.

-Continue enumerando-os, por favor.
-A mortalidade infantil no primeiro ano de vida é muito inferior entre os bebês com aleitamento natural. E há menos casos de morte
súbita.

-Por que?
-Provavelmente porque estão mais blindados contra infecções respiratórias.

-Mais sadios?
-Sofrem menos de anemias: o ferro do leite materno é totalmente absorvido, e os das fórmulas infantis são mal absorvidos.

-Como isto afeta o crescimento da criança?
-Temos constatado que os adolescentes que foram amamentados quando bebês são menos propensos a obesidade que outros.

-Curioso...
- Muito importante: a obesidade mata hoje mais gente que a fome em todo o mundo !

-E a amamentação afeta de algum modo o desenvolvimento intelectual do bebê?
-Sim. A grande riqueza em ácidos graxos de cadeia longa (ômega-3) que contém no leite materno favorece o desenvolvimento do cérebro. O QI (quociente intelectual) dessas crianças supera de 5 à 10 pontos o dos outros.

-Tudo é benéfico!
-O desenvolvimento psicomotor também melhora graças ao leite materno. E o emocional, graças ao contato físico, o pele-a-pele...

-E quanto tempo convém dar de mamar para usufruir de todos estas vantagens?
-Durante os primeiros 6 meses convém dar só peito. E durante os 6 meses seguintes, peito mais outros alimentos.

-E já temos o bebê com 1 aninho.
-A OMS aconselha seguir dando o peito até 2 anos ou mais. Os indígenas e outros povos primitivos prolongam a amamentação até 3 ou 4 anos. Isto seria o natural !

-Tanto?
-Já me advertiram que afirmar isto na Espanha é quase um tabu... Essas crianças quase não adoecem, não necessitam de antibióticos: o leite materno é seu antibiótico natural ! Sem falar da riquíssima absorção de suas proteínas.

-Porém... a criança não morderá esse peito?
-Caso o faça, deve-se aperta-lo contra o peito: é impossível morder com a boca cheia.. ! Porém a criança está feliz e não morde.

-Que conselho daria à uma mãe de primeira viagem para dar corretamente o peito?
-Assim que o bebê nasça, que o coloque entre as mamas e o deixem com ela. Esse bebê cheira, busca, se aproxima do peito e, antes de uma hora, já está mamando !

-Assim tão fácil?
-Claro ! É um instinto de busca derivado de milhões de anos de seleção natural... E temos comprovado que quantas mais horas
prorrogarmos em oferecer o peito ao bebê..., pior: mais reflexos haverá perdido, mais lento e esgotado estará e mais lhe custará
começar a mamar.

-O que pode desesperar a mãe que amamenta...
-Não há que apressa-la, nem ela ou seu bebê. Calma ! E que nem ela¿nem ninguém¿esfregue ou aperte com os dedos os mamilos para prepará-los ! É um erro: só a boca do bebê deve tocar os bicos dos seios. A mãe deve ficar somente com o bebê, e deixar que o bebê busque...

-Tranqüilamente.
-Sim. Ah: e que ninguém lhe dê mamadeira.

-Por que não?
-Sugar um bico de mamadeira é como sugar um espaqueti, e sugar um peito é como meter na boca um hambúrguer. Se acostumas o bebê à mamadeira, logo lhe custará mais sugar bem o peito.

-A aréola?
-Para que a sucção seja correta, a boca do bebê deve abarcar não somente o mamilo, senão também parte do peito ¿ a aréola.

-E não faz cair as mamas?
-Não ! A queda do peito é derivada do aumento durante a gravidez e logo desincham: nada tem a ver com o aleitamento.

-Ainda assim, há mulheres que preferem evitar a dependência pessoal da amamentação...
-Pois lhes darei outro dado: para cada ano que a mulher dá de mamar, reduz em uns 4,6% seus risco de sofrer de câncer de mama ! Que é o câncer que mais mata mulheres na Espanha...

-Se eu fosse mulher e mãe, não duvidaria...
-Pois é, além do que afastaria osteoporose na velhice: hoje sabemos que dar de mamar renova o cálcio do esqueleto e o reforça.

-E quantas vezes ao dia deve-se dar o peito?
-Toda vez que o bebê desejar. É o ideal: os peitos adequam sua produção de leite à demanda. E é servido na temperatura ideal.

Tradução de Marcus Renato de Carvalho-exclusivo para o www.aleitamento.com
Autor: Dra. Gro Nylander
Data: 16/6/2005

escrito por Pati Merlin em 8:42 PM
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